A intuição comum é que juro alto mata FII inteiro. Mas a mecânica é mais específica. Fundos de papel são, em essência, carteiras de CRIs e LCIs indexados ao IPCA mais um spread. Quando a Selic sobe acima da inflação esperada, o yield real dos títulos públicos compete diretamente com o spread desses CRIs, pressionando o preço de mercado das cotas.
FIIs de tijolo, ao contrário, derivam o resultado do aluguel real do imóvel. O efeito de Selic alta neles é indireto: chega via custo de capital pra novas aquisições e via cap rate de mercado, mas o fluxo de receita de contratos vigentes segue intacto enquanto o inquilino paga.
Daí o padrão histórico: ciclos de aperto monetário descontam mais agressivamente fundos como KNCR11 ou MXRF11 do que HGLG11 ou XPLG11. A assimetria do retorno na ponta de afrouxamento também é diferente — papel recupera mais rápido porque o preço da cota é mais sensível ao yield, mas tijolo recupera de forma mais durável.