O pedágio da energia.
A transmissão cobra um pedágio contratado por décadas e indexado à inflação, a renda mais previsível do setor, que re-rate como um título longo quando o juro começa a ceder.
A eletricidade tem um pedágio invisível, e ele é o ativo mais seguro do setor no momento em que o juro começa a ceder. A transmissão cobra uma Receita Anual Permitida contratada por décadas e indexada à inflação, independente de chuva, demanda ou preço da commodity, e essa renda travada re-rate como um título longo justo quando a Selic vira.
A tese não é comprar quem venceu o leilão, é o contrário. O deságio recorde do último certame, 53,2% na segunda sessão de julho, o terceiro maior desde 2017, é a prova de que o greenfield ficou caro: quem arremata hoje ganha cada vez menos. O valor está em quem JÁ tem a RAP travada e vira bond-proxy quando o juro longo cede. O gatilho começou a disparar, o IPCA de junho veio muito abaixo do esperado, a curva de DI recuou e a utility de duração longa liderou o pregão. Mas a convicção é deliberadamente contida por um risco externo que a honestidade obriga a nomear: a escalada no Estreito de Ormuz empurrou o Brent para cima e reacende o fantasma da re-inflação importada, que é o inimigo do corte de juro que sustenta a tese.
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