
A fábrica volta pra casa.
Os EUA decidiram fabricar de novo, e quem vende as picaretas ganha primeiro.
Depois de trinta anos terceirizando a produção pra Ásia, os Estados Unidos resolveram construir fábrica em casa de novo. Mas o dinheiro de verdade não está em quem monta a fábrica, está em quem vende o que faz a fábrica funcionar.
Empresas anunciaram mais de 1,4 trilhão de dólares em novas plantas americanas, puxadas por semicondutores e farmacêuticos. Cada uma precisa de energia, automação e máquina pesada antes de produzir o primeiro parafuso. E essa remontagem de cadeia tem uma perna brasileira: o reshoring que ergue a fábrica em casa nos Estados Unidos é o outro lado do nearshoring que redesenha as rotas na tese "A nova geografia do frete", onde o Brasil herda a comida, o minério e o frete que alimentam os dois lados. E há um segundo eixo, o do silício: as fábricas de chip que essa tese traz de volta pros Estados Unidos (AMD, Texas Instruments) existem pra abastecer a demanda que nasce nos data centers de IA, a tese "O imóvel mais disputado do mundo". São os dois extremos da mesma cadeia de semicondutor, aqui se remonta a fábrica, lá se consome o chip.
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