
A nova geografia do frete.
A briga entre EUA e China redesenha as rotas do mundo, e o Brasil aparece no mapa dos vencedores.
A tarifa virou geopolítica, e a geopolítica virou logística. Quando os EUA fecham a porta para a China, as fábricas e os contêineres procuram outro caminho, e quem está no caminho certo vira o novo dono do frete.
Não é o fim da globalização, é a sua remontagem. México, Índia e Vietnã herdam a montagem final. O Brasil herda a comida e o minério que alimentam os dois lados. Esse é o nearshoring da América Latina, o avesso do reshoring que traz a fábrica de volta pra dentro dos Estados Unidos na tese "A fábrica volta pra casa": a mesma realocação de cadeia, vista pela perna logística que sobra pro Brasil. E toda rota nova precisa de lastro físico: os centros de distribuição que a MercadoLibre ergue aos milhares (14 novos só no Brasil) e a corrida por galpão logístico que o nearshoring cria são o chão onde a carga espera antes de seguir, a camada de armazém sem a qual a rota é só linha no mapa.
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