A resposta curta: no Tesouro Direto você empresta dinheiro para o governo federal e recebe de volta com juros. É a aplicação mais segura do país, porque quem paga é o Tesouro Nacional, e você acessa tudo pela sua corretora, a partir de poucas dezenas de reais.
O ponto que trava a maioria dos iniciantes não é abrir a conta, é entender que Tesouro Direto não é um investimento só. São três famílias de título com funções diferentes: uma protege da inflação, uma acompanha os juros do dia e uma trava uma taxa fixa. Escolher o título certo para o seu objetivo é o que este guia resolve.
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tipos de título para objetivos diferentes
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passos da conta ao primeiro título
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chance de calote em título público
Os três tipos de título, sem juridiquês
O nome do título já entrega a que ele serve. Entenda os três e você já sabe 80% do que precisa:
Tesouro IPCA+ (proteção da inflação). Rende a inflação do período (medida pelo IPCA) mais uma taxa fixa por cima. Ou seja, seu dinheiro sempre ganha da inflação, aconteça o que acontecer com os preços. É o título para objetivos de longo prazo, aposentadoria, a faculdade do filho, comprar um imóvel daqui a muitos anos, porque protege o seu poder de compra.
Tesouro Selic (reserva e curto prazo). Acompanha a taxa Selic, os juros básicos da economia. É o título que menos oscila no caminho, então é o candidato natural para a reserva de emergência e para dinheiro que você pode precisar a qualquer momento. Rende todo dia útil e você resgata quando quiser sem sustos.
Tesouro Prefixado (taxa travada). A taxa é fixa e você já sabe, na hora da compra, quanto vai receber por ano se levar até o vencimento. Serve para quem quer previsibilidade total de um valor futuro. O outro lado: se os juros subirem depois, você fica preso a uma taxa que ficou para trás.
Passo a passo até o primeiro título
O caminho é o mesmo em qualquer corretora regulada. Do cadastro à compra, são quatro passos:
01Abra conta em uma corretora. Só precisa de CPF e alguns dados. Prefira instituições reguladas pela CVM; a abertura é digital e a maioria não cobra taxa de corretagem no Tesouro Direto.
02Transfira o dinheiro. Um Pix ou TED deixa o saldo disponível. Não há valor mínimo alto: dá para comprar uma fração de título por poucas dezenas de reais.
03Escolha o título pelo objetivo. Reserva de emergência pede Selic; meta de longo prazo protegida da inflação pede IPCA+; um valor certo em uma data futura pede Prefixado. Compare vencimentos e taxas no ranking de Tesouro Direto da Redentia antes de decidir.
04Confirme a compra e acompanhe. A ordem é executada e o título aparece na sua posição. Depois disso, o combinado é deixar trabalhar até o vencimento, sem checar o preço todo dia.
A página de cada título traz taxa, vencimento e a leitura da Redentia. Comece pela lista em Tesouro Direto para ver os títulos disponíveis lado a lado.
Marcação a mercado: por que o preço oscila
Aqui mora a maior confusão de quem começa. Tesouro é seguro, mas o preço do título oscila no meio do caminho. Isso se chama marcação a mercado, e entender esse mecanismo evita o erro mais caro do Tesouro Direto.
Todo dia o mercado reprecifica o seu título com base nos juros do momento. Quando os juros da economia sobem, o preço dos títulos prefixados e IPCA+ na tela cai; quando os juros caem, o preço sobe. É por isso que você pode ver a posição de um Tesouro IPCA+ ficar temporariamente negativa mesmo sabendo que ele é seguro.
Se levar até o vencimento, a taxa contratada é a que vale. A oscilação do meio do caminho não muda o combinado: você recebe a taxa que travou na compra.
Se vender antes do vencimento, você realiza o preço do dia. Pode sair ganhando mais ou menos que a taxa contratada, dependendo de para onde os juros foram.
Tesouro Selic quase não sofre marcação. Por acompanhar a taxa do dia, ele oscila muito pouco. É por isso que é o título da reserva: você resgata a qualquer momento sem levar prejuízo de marcação.
A lição prática: escolha o vencimento pensando em quando vai precisar do dinheiro. Casar prazo do título com prazo do objetivo é o que transforma a marcação a mercado em detalhe irrelevante, em vez de armadilha.
Como escolher o título certo
Não existe o melhor Tesouro no absoluto, existe o certo para cada objetivo. Antes de comprar, responda a estas perguntas:
Você pode precisar desse dinheiro a qualquer hora? Se sim, é reserva: vá de Tesouro Selic e não pense em marcação a mercado.
É um objetivo de muitos anos que não pode perder para a inflação? Aposentadoria e metas longas pedem Tesouro IPCA+, que protege o poder de compra.
Você quer saber o valor exato que vai receber em uma data? O Tesouro Prefixado trava a taxa e entrega previsibilidade, desde que você leve até o vencimento.
O vencimento bate com o seu prazo? Escolha um título que vence perto de quando você vai usar o dinheiro. Isso neutraliza a oscilação do caminho.
Você já tem reserva antes de mirar prazos longos? A ordem saudável é primeiro o colchão de curto prazo, depois os objetivos de longo prazo.
Para transformar objetivo em número, quanto aportar por mês e quanto isso vira ao longo dos anos, use as calculadoras da Redentia. Um plano de aportes regulares no título certo vence, no longo prazo, a tentativa de adivinhar o melhor momento de comprar.
Imposto de renda e custos
O Tesouro Direto tem imposto de renda sobre o rendimento, cobrado só no resgate ou no vencimento, e a alíquota cai quanto mais tempo você deixa o dinheiro aplicado. Essa é a tabela regressiva: começa em 22,5% para prazos curtos e chega a 15% depois de dois anos. Não é imposto sobre o valor investido, é sobre o lucro.
Há também o IOF, mas só se você resgatar nos primeiros 30 dias, então na prática ele deixa de existir para qualquer aplicação com um mínimo de horizonte. E existe uma pequena taxa de custódia da B3 sobre o valor guardado, exceto para uma faixa inicial de Tesouro Selic, que é isenta. Some tudo e o Tesouro segue sendo um dos investimentos de menor custo do mercado.
O recado prático: o imposto premia a paciência. Quanto mais longo o objetivo, menor a mordida no rendimento, o que reforça a lógica de casar o título com o prazo. Na hora da declaração anual, os títulos e os rendimentos entram no Imposto de Renda, e o passo a passo está no guia de como declarar investimentos no IR, logo abaixo.
Os erros que travam iniciantes
A maioria dos tropeços no Tesouro não vem do título errado, vem de expectativa errada. Fuja destes:
Botar a reserva de emergência em IPCA+ ou Prefixado. São ótimos para o longo prazo, mas oscilam. Reserva mora no Selic, que resgata sem susto.
Vender no susto quando a posição fica negativa. A oscilação é marcação a mercado. Se você casou o prazo, basta esperar o vencimento e receber a taxa contratada.
Comprar um vencimento muito longo para uma meta curta. Título longo oscila mais. Escolher o vencimento pelo objetivo evita ter que vender na hora errada.
Achar que Tesouro rende igual a todo momento. As taxas mudam conforme os juros da economia. Compare antes de comprar, sem esperar sempre o mesmo número.
Ignorar a reserva e ir direto ao longo prazo. Sem colchão, qualquer imprevisto obriga a resgatar um IPCA+ no pior momento da marcação.
Não existe o melhor no absoluto, existe o certo para cada objetivo. Para a reserva de emergência e o curto prazo, o Tesouro Selic é o mais indicado porque quase não oscila. Para objetivos de longo prazo protegidos da inflação, o Tesouro IPCA+. Para travar um valor futuro conhecido, o Prefixado.
Se você levar o título até o vencimento, recebe a taxa que contratou na compra, sem prejuízo. A perda só acontece se você vender antes do vencimento em um momento ruim da marcação a mercado, quando os juros subiram. O Tesouro Selic é a exceção: quase não oscila, por isso serve para resgates a qualquer momento.
É a reprecificação diária do seu título conforme os juros da economia. Quando os juros sobem, o preço de títulos prefixados e IPCA+ na tela cai; quando caem, sobe. Essa oscilação só importa se você vender antes do vencimento. Levando até o fim, vale a taxa contratada.
Poucas dezenas de reais já bastam, porque é possível comprar uma fração de título. Não há valor mínimo alto, o que faz do Tesouro um bom primeiro investimento enquanto você aprende a acompanhar objetivos e prazos.
Sim, sobre o rendimento, cobrado no resgate ou no vencimento, pela tabela regressiva: de 22,5% para prazos curtos até 15% após dois anos. Há IOF apenas nos primeiros 30 dias. Quanto mais tempo aplicado, menor a alíquota, o que premia objetivos de longo prazo.
Para a maioria dos objetivos, o Tesouro tende a render mais que a poupança e é igualmente seguro, por ser título público. O Tesouro Selic cumpre o papel de reserva com liquidez, e IPCA+ e Prefixado atendem prazos mais longos. A poupança perde em rendimento na maior parte dos cenários.