O indicador Dívida Líquida/EBITDA é um dos termômetros mais usados de saúde financeira. Ele divide a dívida líquida (a dívida total menos o caixa e as aplicações) pelo EBITDA anual, respondendo a uma pergunta simples: quantos anos de geração operacional a empresa levaria para pagar o que deve.
A leitura é intuitiva, e quanto menor, mais folgada a empresa. Um resultado abaixo de uma vez costuma indicar endividamento conservador; entre uma e duas vezes, uma situação saudável; acima de três vezes, começa o sinal de alerta, porque a dívida passa a consumir boa parte do caixa gerado e deixa a empresa vulnerável a solavancos.
O nível aceitável muda muito com o setor. Empresas de infraestrutura e utilities, com receitas estáveis e previsíveis, convivem bem com múltiplos mais altos; negócios cíclicos ou de baixa previsibilidade precisam de bem mais folga. Por isso o indicador anda junto do estudo de alavancagem e da qualidade da geração de caixa.
Ressalva honesta: em empresas cíclicas, o número engana se calculado na hora errada. Um EBITDA inflado no topo do ciclo faz a dívida parecer baixa; quando o ciclo vira, a mesma dívida vira um problema. O ideal é olhar a razão em anos de EBITDA normalizado. Avalie a solidez das empresas no ranking do Redentia Score.