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Preço teto de Bazin: a conta do dividendo dividido por 6%

O preço teto de Bazin é o dividendo por ação dos últimos 12 meses dividido por 0,06. Uma ação que pagou R$ 3,00 por ação no período tem preço teto de R$ 50,00 (3 ÷ 0,06). Acima disso, pelo critério de Bazin, o dividend yield cai abaixo dos 6% que ele exigia e a ação sai da lista de compra.

Preço teto = Dividendo por ação (12 meses) ÷ 0,06

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Preço teto
R$ 30,00
Justo. Está próximo do preço teto, sem margem de segurança relevante.

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De onde vem o 6%

Décio Bazin descreveu o método em "Faça Fortuna com Ações", publicado em 1991. O 6% não é uma constante de mercado nem uma dedução teórica: é o piso de rendimento que ele considerava aceitável para assumir o risco de renda variável em vez de renda fixa, no Brasil, naquele contexto de juros.

A crítica mais comum ao método ataca exatamente esse ponto. Com a Selic a 15%, exigir 6% de dividend yield para comprar uma ação é aceitar rendimento menor que o do Tesouro Selic com risco muito maior. Com a Selic a 2%, o mesmo 6% vira um filtro severíssimo que quase nenhuma empresa passa.

Quem usa o método hoje costuma ajustar o yield exigido ao custo de oportunidade do momento, e a calculadora abaixo permite isso. Mas vale registrar: no momento em que você troca o 6% por outro número, deixou de calcular o preço teto de Bazin e passou a calcular o seu.

As três regras que vêm antes da conta

A fórmula é a parte famosa do método e a menos importante. Bazin filtrava a empresa antes de calcular qualquer coisa, e a conta só valia para o que sobrava do filtro.

A primeira regra é histórico de dividendos consistente. Bazin queria pelo menos cinco anos de pagamento ininterrupto, porque um dividendo isolado não diz nada sobre capacidade de distribuição e um yield alto costuma ser efeito de preço caindo, não de dividendo subindo.

A segunda é endividamento sob controle. Empresa que distribui dividendo enquanto rola dívida cara está devolvendo capital que deveria estar amortizando passivo, e isso termina em corte de dividendo ou em emissão de ações.

A terceira é ausência de "cavalo de pau" na gestão: mudanças bruscas de estratégia, de controlador ou de política de distribuição invalidam a premissa de que o histórico projeta o futuro, que é a base inteira do método.

Onde o método falha

O método de Bazin é cego para crescimento. Uma empresa que reinveste todo o lucro e não distribui nada tem preço teto zero pela fórmula, o que é obviamente falso como avaliação de valor. Por isso Bazin não serve para avaliar empresa de crescimento, e ele mesmo não usava para isso.

Ele também é sensível a dividendo extraordinário. Um pagamento único e grande, típico de venda de ativo, infla o dividendo dos últimos 12 meses e projeta um preço teto que não se sustenta no ciclo seguinte. O ajuste honesto é usar o dividendo recorrente, excluindo o evento não repetível.

E é sensível ao ciclo. Petrobras em 2022 pagou dividendo que gerava yield acima de 50% ao ano: aplicar Bazin ali produzia um preço teto várias vezes acima do preço de mercado, sinalizando compra num topo de ciclo de petróleo.

Exemplo fechado

  • Dividendo dos últimos 12 meses: R$ 3,00 por ação
  • Yield exigido: 6% (0,06)
  • Preço teto = 3,00 ÷ 0,06 = R$ 50,00
  • Preço de mercado R$ 38,00 → margem de segurança de 31,6%
  • Preço de mercado R$ 55,00 → 10% acima do teto, fora da regra

Perguntas frequentes

Preço teto = dividendo por ação dos últimos 12 meses dividido por 0,06. O 0,06 representa o dividend yield mínimo de 6% ao ano que Décio Bazin exigia para considerar uma ação atrativa.

Os outros métodos

Atualizado em 03 de agosto de 2026