← Calculadora de preço tetoPreço teto projetivo: Bazin sobre o dividendo que ainda vai vir
O preço teto projetivo aplica a régua de Bazin ao dividendo estimado do próximo ciclo em vez do dividendo já pago. Um papel que distribuiu R$ 3,00 por ação e deve crescer 10% projeta R$ 3,30, e com yield exigido de 6% o preço teto sobe de R$ 50,00 para R$ 55,00. Com crescimento zero, o projetivo é idêntico ao Bazin: sem estimativa, não há projeção.
Preço teto = [Dividendo × (1 + crescimento)] ÷ Yield desejado
O problema que o projetivo tenta resolver
Bazin olha para trás. Ele usa o dividendo dos últimos 12 meses como se fosse o dividendo permanente, e isso funciona bem numa empresa madura e estável e mal em qualquer outra situação.
Duas distorções aparecem sempre. A primeira é a empresa em crescimento, que paga pouco hoje porque reinveste, e cujo preço teto por Bazin sai artificialmente baixo. A segunda é a empresa em pico de ciclo, que pagou um dividendo excepcional que não se repete, e cujo preço teto sai artificialmente alto exatamente no pior momento para comprar.
O projetivo troca o dividendo realizado pelo esperado, o que corrige as duas distorções ao custo de introduzir uma premissa.
Como estimar o crescimento sem chutar
A estimativa mais defensável não vem de opinião, vem de contrato e de histórico. Concessões e transmissoras têm receita indexada à inflação com reajuste em data conhecida: o crescimento nominal do dividendo tem piso previsível.
Para empresas sem esse tipo de contrato, o caminho é a mediana do crescimento de dividendo dos últimos cinco a dez anos, e não a média, porque a média é dominada por um ano excepcional. Se a mediana de crescimento é 4% ao ano, projetar 15% precisa de justificativa específica.
Guidance da própria empresa e política de distribuição declarada (payout mínimo em estatuto, por exemplo) são as fontes mais concretas. Consenso de analistas é utilizável, mas costuma ser otimista de forma sistemática.
A regra prática: se você não consegue escrever em uma frase por que o dividendo vai crescer aquilo, use crescimento zero e assuma que está fazendo Bazin puro.
Por que o projetivo amplifica erro
A projeção entra no numerador de uma divisão por um número pequeno. Com yield exigido de 6%, cada real de dividendo projetado vira 16,67 reais de preço teto. Um erro de 20% na estimativa de dividendo vira 20% de erro no preço teto, mas em cima de uma base já alavancada.
Isso torna o método perigoso na direção otimista. É trivial construir uma premissa de crescimento que justifica comprar qualquer coisa, e a aparência de rigor da fórmula esconde que o resultado depende inteiramente de um número que você escolheu.
A defesa é assimetria: use a estimativa conservadora de crescimento e o yield exigido mais alto. Se o papel ainda passa, a conclusão é robusta. Se ele só passa com premissa agressiva, a conclusão é a premissa, não a ação.
Exemplo fechado
- Dividendo dos últimos 12 meses: R$ 3,00 por ação
- Crescimento estimado: 10% ao ano
- Dividendo projetado = 3,00 × 1,10 = R$ 3,30
- Preço teto = 3,30 ÷ 0,06 = R$ 55,00
- Com crescimento zero, o teto volta a R$ 50,00 (Bazin puro)
- Com crescimento de 30%, o teto vai a R$ 65,00: a premissa move 30% do resultado