Tesouro Renda+ e Educa+: os títulos que pagam renda mensal
O Tesouro que não devolve tudo de uma vez, e sim em parcelas. Como funcionam as duas fases, por que esses títulos balançam mais que qualquer outro e quando a isenção de custódia vale.
Equipe RedentiaAtualizado em 19 ago 2026 · 10 min de leitura
Quase tudo que você já leu sobre Tesouro Direto descreve o mesmo desenho: você compra o título, espera o vencimento e recebe um valor único, de uma vez só. O Tesouro Renda+ e o Tesouro Educa+ quebram esse desenho. Eles não devolvem o dinheiro em uma data, devolvem em parcelas mensais ao longo de anos, e é essa diferença que explica todo o resto do comportamento deles.
Os dois nasceram para um problema específico. O investidor sabia acumular no Tesouro IPCA+, mas na data de vencimento recebia um valor grande de uma vez e ficava sem saber o que fazer com ele. Renda+ e Educa+ resolvem exatamente essa etapa final: em vez de entregar o bolo, entregam a fatia mensal já corrigida pela inflação.
2
fases em cada título: acumulação e conversão
240
parcelas mensais do Renda+, ou 20 anos de renda
60
parcelas mensais do Educa+, ou 5 anos de renda
Nome oficial e apelido convivem, o que confunde na hora de procurar. O Renda+ aparece nas plataformas como Tesouro Renda+ Aposentadoria Extra, seguido do ano em que a renda começa a ser paga. O Educa+ aparece como Tesouro Educa+ com o ano correspondente. Em ambos os casos, o ano no nome não é o vencimento no sentido tradicional: é o ano em que os pagamentos começam. Confundir esses dois conceitos é o erro de leitura mais comum, e ele tem consequência prática, como você vai ver adiante.
Como o Renda+ funciona por dentro
O título tem duas vidas separadas, com regras diferentes em cada uma. Entender onde termina a primeira e começa a segunda resolve a maioria das dúvidas:
01Fase de acumulação. É o período entre a sua compra e a data de conversão. Nesse trecho o título se comporta como um IPCA+ de prazo longo: rende a inflação do período mais uma taxa fixa contratada na compra, e você não recebe nada no caminho. Pode continuar aportando ao longo dos anos, comprando mais frações do mesmo título.
02Data de conversão. É a virada, e não o fim. A partir dela o título para de acumular e começa a pagar. É esse ano que aparece no nome do papel.
03Fase de conversão. A partir da data de conversão você recebe 240 parcelas mensais, o equivalente a 20 anos de renda, todas corrigidas pelo IPCA. O poder de compra da parcela é o que fica protegido, e não o valor nominal dela.
A consequência de prazo é o que mais surpreende. Se você compra hoje um título cuja conversão começa daqui a vinte anos, o dinheiro do último pagamento só sai daqui a quarenta: vinte anos acumulando mais vinte anos recebendo. Não existe outro produto na prateleira do Tesouro com esse horizonte, e é por isso que ele se comporta de um jeito que assusta quem espera um título público comum.
Um detalhe que evita frustração no cadastro: a renda não é um valor que você escolhe e contrata. Você escolhe o ano de conversão e vai comprando frações ao longo do tempo. Quanto mais frações acumuladas, maior a parcela mensal futura. As plataformas mostram uma projeção do valor mensal, e essa projeção sobe ou desce conforme você aporta e conforme a taxa contratada em cada compra, porque cada aporte entra com a taxa do dia.
Educa+: o mesmo motor, outro prazo
O Educa+ usa a mesma mecânica de duas fases, mas calibrada para um objetivo bem mais curto e datado: pagar uma graduação. Em vez de 240 parcelas, ele paga 60, o equivalente a 5 anos, que é aproximadamente a duração de um curso superior. Os pagamentos começam em janeiro do ano de conversão escolhido, o que casa com o início do ano letivo.
A correção é a mesma. O rendimento é o IPCA do período mais uma taxa fixa contratada na compra, exatamente como no Renda+. Isso importa aqui mais do que em qualquer outro lugar, porque mensalidade de faculdade é uma despesa que historicamente sobe, e um valor nominal fixo guardado por quinze anos chegaria pequeno demais.
O ano no nome é o ano em que a renda começa. Escolhe-se o ano em que o filho entra na faculdade, não o ano em que se para de aportar. Errar isso por um ano significa receber a primeira parcela um ano depois da matrícula.
A titularidade é de quem compra. O título fica na conta do investidor, não em uma conta do beneficiário. Não existe travamento de uso: o dinheiro chega como qualquer outra renda e pode ser gasto com qualquer coisa. A destinação para educação é o desenho do produto, não uma amarra jurídica.
O prazo curto de pagamento muda o cálculo. Cinco anos de renda concentram muito mais valor por parcela que vinte anos com o mesmo montante acumulado. Educa+ e Renda+ não são substitutos: são o mesmo motor regulado para horizontes diferentes.
Uma decisão que aparece cedo e não tem resposta única: aportar em um Educa+ com conversão distante ou usar um Tesouro IPCA+ tradicional de vencimento parecido. O IPCA+ entrega tudo de uma vez e dá liberdade total de uso; o Educa+ entrega parcelado e resolve a disciplina de não gastar o bolo antes da hora. A diferença é comportamental antes de ser financeira.
Duration: por que esses títulos oscilam tanto
Esta é a pergunta mais buscada sobre o Renda+, e ela tem uma resposta que raramente aparece escrita com clareza. Duration é, em português direto, o prazo médio em que o dinheiro efetivamente volta para você, ponderando cada pagamento pelo momento em que ele acontece. Quanto maior a duration, mais o preço do título na tela reage a qualquer mudança nos juros da economia.
Em um título tradicional que paga tudo no vencimento, a duration é próxima do prazo até o vencimento. No Renda+ ela é muito maior do que a distância até a data de conversão, porque o dinheiro não volta na conversão: volta espalhado ao longo dos vinte anos seguintes. Somando a acumulação e a distribuição, você tem o instrumento de maior duration da prateleira do Tesouro Direto.
Duration alta significa preço sensível. Quando os juros futuros sobem, o preço de um título prefixado ou indexado à inflação cai na tela. Quanto maior a duration, mais forte é essa queda para a mesma variação de juros. O mecanismo é o mesmo da marcação a mercado explicada no guia de Tesouro Direto para iniciantes, levado ao extremo.
Ver a posição negativa é normal, não é defeito. Um Renda+ comprado em um momento de juros baixos pode passar anos aparecendo com valor abaixo do aportado. Isso não altera em nada a renda mensal que você vai receber a partir da conversão, desde que você carregue o título.
A oscilação corta para os dois lados. Quando os juros caem, o mesmo mecanismo faz o preço subir muito mais que o de um título curto. Quem olha a tela em um ano bom conclui coisas erradas pelo mesmo motivo que quem olha em um ano ruim.
Duration não é risco de calote. São coisas diferentes. O risco de crédito continua sendo o do Tesouro Nacional, o mais baixo disponível no país. O que a duration mede é oscilação de preço no caminho, e ela só vira perda de verdade se você vender antes.
A conclusão prática é dura e vale dizer sem rodeio: o Renda+ é o pior título público possível para quem pode precisar do dinheiro antes, e é justamente o desenho certo para quem não vai precisar. A mesma característica que torna o preço instável no meio do caminho é a que garante a renda longa e corrigida lá na frente. Para dinheiro que pode ser chamado a qualquer momento, o lugar é o Tesouro Selic, como trata o guia de reserva de emergência.
Carência, venda antecipada e o que você perde
A liquidez desses títulos tem uma regra própria que não existe nos títulos clássicos, e ela pega gente desprevenida no primeiro mês:
Existe carência de 60 dias. Cada compra fica travada por 60 dias antes de poder ser vendida. A trava vale por operação, então aportes antigos que já cumpriram o prazo não ficam presos por causa de um aporte novo. Nos títulos tradicionais do Tesouro essa carência não existe.
Passada a carência, o Tesouro recompra. Você não depende de encontrar comprador no mercado: existe recompra pelo Tesouro Nacional nos dias úteis. O que não existe é garantia de preço.
Vender antes é realizar o preço do dia. Como a duration é altíssima, a diferença entre o valor aportado e o valor de venda pode ser grande em qualquer direção. É aqui que a oscilação deixa de ser um número na tela e vira dinheiro.
Vender antes também custa a isenção. A vantagem de custo desses títulos está condicionada a carregá-los até o fim, como detalhado na próxima seção. Saída antecipada devolve o título ao regime de cobrança comum.
Vale registrar o que acontece depois da conversão, porque quase ninguém pergunta antes de comprar: a fase de recebimento não obriga você a ficar parado. É possível vender as parcelas ainda não pagas, sujeitas ao preço do dia, se a sua vida mudar. Renda+ e Educa+ são desenhados para serem carregados, não são prisões contratuais.
A regra de decisão que sobra de tudo isso é simples de enunciar e difícil de seguir: só entre com dinheiro que você tem certeza de não precisar antes da data de conversão. Se existe qualquer chance de resgate no meio, o dinheiro está na classe errada, e o guia de CDB, LCI e LCA e o de reserva de emergência cobrem as alternativas de prazo curto e médio.
Custos e imposto: a isenção que premia quem carrega
O incentivo econômico desses títulos está concentrado em uma regra de custo, e ela é a razão de existir do produto. As regras abaixo são o desenho geral vigente desde o lançamento, mas tributação e tabelas mudam por lei: trate como referência e confirme a regra do exercício atual antes de calcular o seu.
Carregar até o fim isenta a taxa de custódia. Quem mantém o título até o vencimento não paga a taxa de custódia da bolsa sobre a renda recebida. Essa isenção não existe em nenhum outro título do Tesouro Direto, e é o principal argumento de custo do produto.
A isenção tem teto em salários mínimos. Ela vale até o equivalente a 6 salários mínimos de renda mensal recebida. O que passar desse limite volta a ser cobrado, apenas sobre o excedente. Para a esmagadora maioria dos investidores pessoa física, o teto nunca é alcançado.
Sair antes derruba a isenção. Venda antecipada devolve o título ao regime comum de taxa de custódia, cobrada por período de permanência. É o segundo custo da pressa, somado ao preço do dia.
O Imposto de Renda segue a tabela regressiva. Como regra geral, a alíquota vai de 22,5% para prazos curtos até 15% para prazos acima de dois anos, e incide apenas sobre o rendimento, nunca sobre o valor aportado. Em um título carregado por décadas, a alíquota aplicável é sempre a menor da tabela.
O imposto é retido em cada parcela. Durante a fase de conversão, o IR é descontado no recebimento, sobre a parte da parcela que corresponde a rendimento. Você não precisa apurar nem emitir guia, mas precisa lançar os valores na declaração anual, como trata o guia de como declarar investimentos no IR.
Some as duas pontas e o desenho fica evidente. O produto foi construído para punir a saída e premiar a permanência, e faz isso com três mecanismos ao mesmo tempo: carência inicial, oscilação de preço amplificada pela duration e isenção de custódia condicionada. Nada disso é armadilha escondida, é o instrumento fazendo aquilo para que foi desenhado.
Para quem faz sentido, e para quem não faz
Vale ser explícito nos dois sentidos, porque a frustração com esses títulos quase sempre nasce de comprar o produto certo para o objetivo errado:
Faz sentido para o horizonte que você não vai tocar. Complemento de aposentadoria daqui a décadas, ou a faculdade de uma criança pequena. Quanto mais distante e mais datado o objetivo, melhor o encaixe.
Faz sentido para quem quer disciplina embutida. Receber parcelado resolve um problema real que o IPCA+ tradicional não resolve: gastar de uma vez o valor que levou vinte anos para juntar.
Não faz sentido para reserva de emergência. Carência, duration alta e isenção condicionada são exatamente o oposto do que uma reserva precisa. Esse dinheiro tem lugar próprio.
Não faz sentido para quem acompanha o preço todo dia. Se ver a posição negativa por meses vai te fazer vender, a duration vai transformar uma característica do produto em prejuízo realizado.
Não substitui uma carteira. Renda futura corrigida pela inflação é uma peça, não a estrutura inteira. Como ela convive com as outras classes é assunto do guia de como montar uma carteira de investimentos.
Uma última confusão de nome que vale desfazer, porque os três aparecem lado a lado na mesma tela: Tesouro Reserva não é a mesma família. Ele é um título indexado à Selic, pensado para liquidez, e não paga renda em parcelas. Renda+ e Educa+ são os dois únicos títulos com fase de conversão. Se o objetivo é ter o dinheiro disponível, o caminho é a família Selic, não estes.
Para seguir daqui: a página de títulos do Tesouro lista o que está disponível hoje com prazo e característica de cada papel, as calculadoras da Redentia transformam objetivo em aporte mensal, o glossário destrincha os termos citados, a metodologia explica como a Redentia calcula os indicadores das páginas de ativo e a carteira reúne suas posições em um lugar só.
É um título público de duas fases. Na fase de acumulação ele rende a inflação medida pelo IPCA mais uma taxa fixa contratada na compra, sem pagar nada no caminho. A partir da data de conversão, que é o ano que aparece no nome do título, ele paga 240 parcelas mensais, o equivalente a 20 anos de renda, todas corrigidas pela inflação. Diferente dos títulos tradicionais, ele não devolve um valor único no vencimento.
A mecânica é idêntica e o prazo de pagamento é o que muda. O Renda+ paga 240 parcelas mensais, ou 20 anos, e foi desenhado como complemento de aposentadoria. O Educa+ paga 60 parcelas, ou 5 anos, aproximadamente a duração de um curso superior, com os pagamentos começando em janeiro do ano de conversão escolhido. Os dois rendem IPCA mais uma taxa fixa e têm a mesma regra de carência, custódia e imposto.
É a data em que o título deixa de acumular e começa a pagar as parcelas mensais. É ela que aparece no nome do papel, e não o vencimento. O vencimento de verdade acontece bem depois: no Renda+, vinte anos após a conversão, quando cai a última das 240 parcelas. Confundir as duas datas é o erro de leitura mais comum desses títulos.
Duration é o prazo médio em que o dinheiro efetivamente volta para o investidor, ponderando cada pagamento pelo momento em que ocorre. No Renda+ o dinheiro não volta na data de conversão: volta espalhado pelos vinte anos seguintes, somados ao período de acumulação. Isso resulta na maior duration da prateleira do Tesouro Direto, e é por isso que o preço na tela reage com força a qualquer mudança nos juros da economia. A oscilação só vira perda se você vender antes.
Pode, respeitada a carência de 60 dias que se aplica a cada compra. Passado esse prazo, o Tesouro Nacional recompra o título nos dias úteis, mas pelo preço do dia. Como a duration é muito alta, a diferença em relação ao valor aportado pode ser grande nos dois sentidos. Vender antes também faz perder a isenção da taxa de custódia, que depende de carregar o título até o fim.
Quem carrega o título até o vencimento não paga taxa de custódia sobre a renda recebida, uma isenção que não existe em nenhum outro título do Tesouro Direto. Ela vale até o equivalente a 6 salários mínimos de renda mensal, e o que exceder esse limite volta a ser cobrado apenas sobre o excedente. Em caso de venda antecipada, o título retorna ao regime comum de cobrança por período de permanência.
Como regra geral, vale a tabela regressiva da renda fixa, com alíquota de 22,5% para prazos curtos caindo até 15% acima de dois anos, incidindo apenas sobre o rendimento. Em títulos carregados por décadas, a alíquota aplicável é sempre a menor. Durante a fase de conversão o imposto é retido em cada parcela, sobre a parte que corresponde a rendimento, sem necessidade de apurar ou emitir guia. Os valores ainda precisam ser informados na declaração anual, e regras tributárias mudam por lei, então confirme as vigentes.